sábado, 9 de maio de 2009

Nosso inventário

Alguns pontos observados:

Ver é diferente de olhar.

Ver: Maneira ingênua de captar com os olhos, qualquer pessoa que possui a capacidade de enxergar é capaz de ver, sem se ater aos detalhes, de forma mecânica.

Olhar é uma maneira apurada de enxergar detalhes e fazer relações de sentido considerando os aspectos formais (cor, luz, forma, gestalt, disposição e contexto) que constitui o campo visual.

Apropriação de um vocabulário específico para tratar das questões da ordem (RsRsRsRs) dos conceitos artísticos.

A compreensão de uma estrutura de um pensamento com características do Séc XIX, que ficou muito forte e presente até a atualidade, considerando que o Brasil foi colônia e herdou uma cultura imposta por nossos colonizadores, pulando da fase da “barbárie” para a estrutura neoclássica. Na tentativa de amenizar as lacunas que ficaram neste processo “aceitamos” esta estrutura como base de pensamento trazendo uma certa “segurança” para a elite cultural.

O pensamento cartesiano colocou uma ordem de estrutura das coisas que dava uma falsa sensação de perfeição, e esta estrutura ficou firmada como adequada até a atualidade.

Com estes indicadores percebemos que hoje esta estrutura está presente em nosso cotidiano, porém nosso olhar ingênuo não se dava conta disto.

Exemplos:

  • Nossa atitude enquanto grupo, foi em muitos momentos de receptores, nos colocando na posição de quem espera ser guiado e apresentado a modelos;
  • A perplexidade das pessoas quando apresentadas a abordagem fenomenológica que rompe com a estrutura cartesiana a que estão habituadas;
  • Isto ficou claro quando solicitadas a analisar as obras, repetimos convictamente de forma automática a estrutura apresentada pelo formador;
  • A composição do campo visual nas cenas dos filmes analisados muitas vezes era deixada em segundo plano, com uma narrativa focada no enredo da obra, ou quando a narrativa da estrutura apresentada não se apoiava nas imagens ficando apenas no discurso verbal.
  • O desconhecimento da presença da estrutura do Séc. XIX no noticiário da rede globo que é líder de audiência;
  • Quando não conseguimos nos desvincular da educação bancária com professores depositários de conhecimento esperando que os formadores deste curso nos trouxessem todas as respostas prontas e as fórmulas mágicas renegando o processo de construção coletiva e a reflexão seja individual ou no grupo.

Autoria: Derany, Grace e Neylimarcia.

Introdução

A arte tem uma importância que extrapola seu valor material enquanto objeto de produção humana, pois entendida enquanto patrimônio cultural permite a reflexão sobre questões que estão implícitas; O objeto artístico é impregnado de códigos e elementos de significação intencionalmente postos pelo artista. Por esta razão podemos justificar historicamente o distanciamento proposital do individuo comum dos códigos da arte, politicamente impostos à educação, pois a arte representa a história de um povo, a visão de diferentes ângulos que normalmente não são contados na história narrativa, o artista em determinados momentos utiliza a arte coma forma de denuncia, traz um contexto impregnado de sensações e emoções, inserindo na história personagens excluídos com uma grande carga de humanidade.
Vários artistas se destacaram em sua época por retratar a história como ser participante do fato, retratando-a através das imagens diferentemente do historiador que relata a história de forma imparcial e data os fatos de forma quase jornalística, o artista está imerso em suas obras sem se distanciar do contexto em que a obra foi realizada.
O desafio do docente consiste em compreender a expressividade de cada obra levando em consideração o valor artístico destes códigos, mas ao mesmo tempo “enxergar” o contexto sociológico que acompanha a criação artística.
Fomos educados para reverenciar os padrões estéticos Europeus, matriz cultural imposta pelos colonizadores; a educação nos leva a um olhar crítico que amplia nossa visão em termos sócio-culturais, por exemplo, na disciplina História, já é claro o quanto precisamos romper com esses padrões e valorizar nossas raízes antropológicas, no entanto, quando falamos do Ensino da Arte, ainda apresentamos um olhar ingênuo, ensinar Arte é a tradução do ensino da técnica. Assim a disciplina Arte é relegada ao rol dos conteúdos menores e para “aqueles poucos” que tem dons artísticos.
A Arte é uma área de conhecimento, que tem seus próprios conteúdos e habilidades específicas, que precisam ser explicitados e compreendidos. O trabalho com a Arte não deve ser reduzido a aspectos relativos à recreação, equilíbrio psíquico, expressão criativa e desenvolvimento de habilidades motoras. Assim, ao educarmos com Arte, é preciso ter discernimento quanto aos objetivos de cada atividade proposta e estabelecer critérios de avaliação de seus processos e resultados, para que sejam
claros aos professores e aos alunos. Milene Chiovatto e Gabriela Aidar- Núcleo de Ação Educativa da Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Autoria: Derany, Grace e Neylimarcia.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Estrutura do Curso

Formação para educadores sociais e professores, incluindo discussões conceituais acerca da Arte e da Educação, processos e métodos de educação em Arte, Estética, História da Arte e dos estilos artísticos, história da instituição, aspectos da elaboração de projetos e programas educativos, processos educativos inclusivos em arte, entre outros.

  • Formação aos Sábados;
  • 5 encontros de 8 horas cada, num total de 40 horas - 2008 (formação básica);
  • 4 encontros de 8 horas cada, num total de 32 horas - 2008 / 2009 (formação processual e acompanhamento de ações).

Nossa trajetória no curso - Aprender na Pinacoteca

Objetivos do curso:
  • Capacitar os profissionais de ensino para a compreensão dos potenciais educativos do museu;
  • Potencializar os processos de encontro com a instituição cultural e seu acervo, como processos de experiências educativas;
  • Auxiliar na compreensão aprofundada do papel da Arte e da Cultura como recursos educativos socioinclusivos;
  • Ampliar a percepção dos educadores nas associações entre educação formal e não-formal;
  • Disseminar o prazer da visitação e freqüência a instituições culturais;
  • Contribuir para a compreensão de ações educativas em arte como processos de desenvolvimento de consciência crítica e cidadania emancipatória dos educandos.